segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Era uma vez um menino chamado Xis, mais frágil do que os seus amigos desde o dia em que nasceu.
Na manhã em que ele saiu da barriga da mãe chovia muito, parecia que o sol chorava escondido atrás das nuvens gordas e pesadas. Passou o Outono, passou o Inverno e para os pais do Xis a Primavera demorava a chegar.
Ele crescia todos, todos, todos os dias, mas à sua volta havia muitas pessoas que continuavam a achar que ele não ia crescer mais e que os seus amigos iam sempre ser maiores do que ele.
Hoje, muitos anos depois daquele dia em que o sol fugia lá em cima no céu eu conheci o Xis.
O Xis é grande, parecido com os seus amigos e até cresceu mais do que alguns deles. O Xis aprendeu as cores, os números e as letras. Aprendeu a trabalhar e a viver. O Xis dá abraços e pergunta se pode escrever para mim. O Xis conhece aquilo que não gosta, diz quando vai ter saudades. O Xis nunca se esquece de sorrir, oferecer beijinhos e dizer «olá».
O Xis ensinou-me que não posso pensar que um menino não sabe ler ou escrever porque na mesma manhã correu três vezes para me dar beijinhos de bom dia. Da próxima vez que conhecer um menino como o Xis, vou pensar que tantas corridas de beijinhos querem dizer: «eu gosto de ti».
É essa a prova de que o Xis cresceu tanto quanto os outros amigos.
O mundo já o conhece como um Xis menos frágil, um Xis maior.